Quando o stress se instala, a saúde começa, pouco a pouco, a perder espaço. Muitas vezes as pessoas só se apercebem quando o corpo já está a dar vários sinais de que algo não está bem.
Com este artigo pretendo ajudá-la/o a perceber o que se passa no nosso organismo quando vivemos constantemente em “modo stress” e o que pode começar a fazer, na prática, para o contrariar.
Mas afinal o que é o stress?
De forma simples, o stress é a maneira como o corpo reage quando sente que algo o está a ameaçar ou a exigir demais. Isto pode ser um problema no trabalho, em casa, questões financeiras ou outras preocupações constantes.
Nessas alturas, o nosso organismo entra em “alerta”, como se tivesse de se preparar para fugir ou lutar: o coração bate mais depressa, a tensão sobe, respiramos mais rápido e os nossos músculos ficam tensos.
Em doses pequenas e pontuais, esta resposta até pode ser útil: ajuda-nos a concentrarmo-nos, a reagir mais rápido, a cumprir prazos. O problema é quando este estado de alerta deixa de ser uma exceção e passa a ser a regra, transformando-se em stress crónico.
O que acontece quando o corpo vive em stress?
Quando estamos muito tempo sob stress, o nosso corpo liberta hormonas como a adrenalina e o cortisol durante demasiado tempo. Isto faz com que o nosso organismo funcione como se fosse um motor sempre acelerado: aguenta durante algum tempo, mas, se nunca abrandar, começa a desgastar-se.
A longo prazo, este excesso de stress aumenta o risco de:
- Problemas cardiovasculares, como hipertensão e doenças cardíacas.
- Alterações do açúcar no sangue, facilitando o aparecimento da diabetes.
- Problemas digestivos, como azia, intestino irritável ou até dores abdominais recorrentes.
- Agravamento de doenças de pele, como o acne ou as dermatites.
- Também a nossa saúde mental fica mais frágil, verificando-se uma maior probabilidade de desenvolver ansiedade, depressão, burnout e dificuldades em dormir.
Sinais de que já há stress em demasia
Cada pessoa sente o stress à sua maneira, mas há sinais que aparecem com maior frequência quando o stress começa a pesar demasiado.
É comum surgirem:
- No corpo: cansaço constante, dores de cabeça, tensão no pescoço e ombros, palpitações, alterações do intestino, azia.
- No humor: maior irritabilidade, sensibilidade “à flor da pele”, sensação de estar sobrecarregada/o, tristeza ou ansiedade.
- Na cabeça: dificuldade em concentrar-se, sensação de “mente sempre a mil”, esquecer pequenas coisas com facilidade.
- No comportamento: comer mais (ou perder o apetite), dormir mal, consumir mais café, álcool ou tabaco, evitar tarefas ou afastar-se das pessoas.
Quando estes sinais se arrastam por semanas ou meses e começam a interferir com o trabalho, a vida familiar ou o descanso, é um alerta importante de que o stress já está a condicionar a nossa saúde.
O que pode fazer?
Em consulta, uma das áreas mais importantes que trabalho com os meus pacientes é o seu estilo de vida: aquilo que fazem todos os dias e que tem impacto direto na forma como o seu corpo lida com o stress. Não se trata de “acabar com o stress”, mas de fortalecer o organismo para o conseguir gerir melhor.
Algumas mudanças que aconselho são:
- Movimento regular: caminhar, subir escadas, fazer uma aula de grupo ou outro exercício que faça sentido para ajudar a libertar tensão, melhorar o sono e o humor.
- Cuidar do sono: tentar deitar-se a horas semelhantes, reduzir os ecrãs antes de dormir e criar um ritual de desaceleração (um banho quente, leitura leve, respiração profunda).
- Alimentação mais equilibrada: privilegiar legumes, fruta, cereais integrais, leguminosas, peixe e gorduras saudáveis (como azeite e frutos secos) e reduzir alimentos ultraprocessados, açúcar e álcool.
- Reduzir estimulantes: limitar café e bebidas energéticas, sobretudo à tarde e à noite, pode ajudar o corpo a acalmar.
- Também as técnicas de relaxamento, mindfulness, respiração guiada ou meditação, integradas num plano global, podem ser úteis para reduzir sintomas físicos e melhorar a sensação de bem-estar.
Quando faz sentido pedir ajuda?
É importante procurar ajuda profissional quando sente que, por mais que tente, não está a conseguir dar a volta ao stress sozinha. Sinais como insónias persistentes, crises de ansiedade, tristeza profunda, irritabilidade constante, dificuldade em cumprir tarefas do dia a dia ou dores físicas recorrentes sem explicação clara são motivos mais do que suficientes para marcar consulta.
O stress faz parte das nossas vidas, mas não tem de mandar nelas! Quando deixa de ser pontual e passa a ser o “básico” de todos os dias, começa a desgastar o nosso corpo e mente, muitas vezes de forma silenciosa.
Um bom hábito a implementar pode ser reservar cinco minutos para identificar: “O que está a pesar mais em mim neste momento?” e escolher apenas uma pequena mudança para tentar fazer esta semana – por exemplo, caminhar 20 minutos três vezes, ou desligar os ecrãs 30 minutos antes de se deitar ou praticar meditação durante 5 minutos por dia. Experimente e conte-me como correu.

Se precisar de falar comigo, contacte-me através do Formulário de Contacto ou do meu Instagram.

Deixe o seu comentário
You must be logged in to post a comment.